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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

E esse tal minimalismo? Funciona na vida de uma costureira?


É uma febre. Qualquer revista que você abra vai acabar encontrando umartigo sobre a tal vida minimalista. Pode ser na publicação semanal de notícias, na revista de decoração, no site de receitas culinárias e até nos almanaques de moda. Por todo lado, vemos dicas de como reduzir o guarda roupa, como acumular menos móveis e bibelôs, como cozinhar com menos panelas e por aí vai...


Agora, você, costureira amiga! Sim, vamos ter uma conversa sincera. Por favor, me conta. Como viver de um jeito minimalista quando você ama um craft? Olha, eu tenho tentado fazer a minha parte. Mas, esse é um desafio dos grandes.






Tudo começou quando decidimos mudar para os Estados Unidos. Não trouxemos mudança, então foi aquele drama: 2 malas para cada pessoa da família. Era o resumo do resumo, só os itens do coração. O que significou para mim escolher tecidos, botões, moldes e livros. Sim, eu deixei sapatos e calças jeans para ocupar meu precioso espaço na bagagem com materiais craft.



E ainda sobrou muito no meu quarto de costura_ uma quantidade exorbitante_ o suficiente para fazer um bazar e vender para os amigos. Confesso que fiquei assustada enquanto reunia os itens e colocava os preços. Pra que diaxos eu precisei comprar e acumular tanta coisa nos últimos 10 anos?



Bem, eu teria mil justificativas. Poderia fazer uma lista. Dizer que eu aproveitava promoçoes, que gostava de procurar novidades quando viajava (Hum! E ainda gosto), que morava longe dos armarinhos e por isso preferia o conforto de ter todas as variedades de botões e linhas nas minhas gavetas.



Vamos combinar? Loucura pura. Ou melhor, consumismo na veia. E o frustante é ver que com o tempo tecidos que significavam muito e pareciam os mais incríveis do mundo passam a ser feios. De tanto olhar aquelas cores e estampas, eles perdem o brilho_ ainda que continuem os mesmíssimos que saíram da loja.



Há 1 ano tenho tentado seguir uma nova direção. Por exemplo, no caso dos tecidos a regra é comprar e cortar. Mas nem sempre funciona. Continuo a boba que tem dó quando o tecido foi muito caro ou quando acha ele tão lindo que nenhum projeto é suficientemente adequado.



A pilha de moldes já cresceu de novo e muitos ainda estão na embalagem. Será que estou recomeçando a juntar, juntar, juntar?



Enfim, é uma eterna busca, um longo policiamento. Nessa América onde tudo é vendido e a indústria adivinha nossos desejos muito antes de sabermos que eles existem fica ainda mais complicado. Mas tenho tentado ver a situaçao pelo outro lado: penso que as mercadorias estao a distância de um número de cartão de crédito e um clique e mentalizo: nao faz nenhum sentido encher armários.



Avancei bastante, mas ainda há um longo caminho até alcançar a tal vida minimalista pregada nas revistas. Nessa minha nova fase, estou bem resolvida com a quantidade de pratos, louças, maquiagens e roupas.
Mas você, minha amiga costureira, vai me entender: quando o assunto é tecido, botão e linhas, o coração é mais fraco. Será que um dia eu chego lá? Sinceramente, lá no fundo, não sei se posso. Não sei se quero.

E você? É da turma do acumula? Ou já passou disso? Me conta???

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

O fim de um bom começo


Ainda que eu viva mais 100 anos, jamais terei um ano como 2016. Foi tudo tao intenso que por mais que eu procure, não conseguirei resumi-lo em adjetivos. Eu sei que pode parecer cliche, mas não foi. Ou foi e nos so confirmamos que o cliche pode ser a realidade. 

Começamos 2016 as avessas (por ótimos motivos) e prontos para literalmente iniciar uma vida nova. Deixamos nossa casa grande e montada em Brasilia e nos mudamos na primeira semana do ano para uma casa de bonecas nos Estados Unidos. 

Cada um resumiu a vida em 2 malas_ o que significou nada de Legos para as crianças, poucas roupas e sapatos pra mim e piano vendido pelo marido. Tentamos fazer tudo com leveza. E o tempo todo so tínhamos um mantra: "sem pressa". E assim, sem pressa, preenchemos cada canto da casa. Primeiro  compramos as camas, depois, loucas, mesa e cadeiras para a cozinha (veja ai a Alice tranquila comendo no chão!), computador e itens de escritório para o marido, agasalhos para enfrentarmos a neve, maquina de costura e tesouras (como sobreviver muito tempo sem costurar?).




Resolvida a escola do Lucas e da Alice e reestabelecida a nova rotina de trabalho do Juliano, foi hora de pensar em mim. A mudança foi ainda mais drástica para mim do que para eles porque o marido e os filhos continuariam as atividades que ja exerciam no Brasil_ a escola e o trabalho. Ja euzinha mudei de pais, de casa e de vida. Para vir, deixei a profissão que me deu tantas conquistas, alegrias e dores de cabeça. Uma jornada que começou em 1997 e seguiu ate 2015, período em que tive rarissimas pausas para respirar (quem e  ou ja foi jornalista sabe bem do que estou falando...).

Mantive o mantra o ano todo: sem pressa. O primeiro passo (e o mais desafiador) foi aprender a desacelerar. Foram tantos anos no esquema "nunca desliga", que levou um tempo ate o meu corpo compreender que eu, enfim, teria manhas para ler, escrever, costurar, cozinhar, organizar uma gaveta. Eu sei que quando estamos no olho do furacão, trabalhando 12 horas por dia, pensar na possibilidade de um dia a dia assim parece um sonho moleza de ser colocado em pratica. Mas, pelo menos pra mim, foi preciso um tempo ate eu me adaptar.





Nao foi um processo sofrido, mas levou um tempo ate eu me reencontrar. Assim, surgiu meu segundo mantra: "simplificar". Abri a cabeça e aprendi com os americanos. Que povo pratico! Impressionante. Aqui não ha drama por vivermos sem alguém para ajudar com as tarefas diárias da casa. Empregada e coisa de milionário e todos os serviços custam uma pequena fortuna, por isso as famílias aprendem a se virar sozinhas. 

Desde pequenas, as crianças executam as tarefas do lar para ajudar a casa manter ordem. Lucas e Alice logo entraram na dança. Virou a coisa mais banal do mundo tirar os pratos sujos da mesa quando  acabam as refeições, lavar a louca, arrumar a própria cama e dobrar as roupas retiradas da secadora. 


Comprou moveis? Se liga porque aqui nos Estados Unidos, eles ate entregam na sua casa, mas deixam as caixas e bye-bye... Nos tivemos que nos virar e aprender a montar tudo sozinhos. E depois de pronto veio aquela sensação "eu que fiz" que nos, crafters, conhecemos bem. Meu marido ficou super animado: '' sou da turma do DIY agora". Yeah! Do It Yourself!

Eu tive a chance, pela primeira vez na vida, de levar e buscar as crianças na escola e atividades, cozinhar para a familia, ir ao supermercado sem pressa. Nunca tinha conseguido encaixar todas essas atividades, com calma, em um dia de semana em Brasilia, quando trabalhava como jornalista. Estava sempre doida, sem fôlego, correndo para cumprir a agenda "madrugar na academia, fazer meu suco verde, trabalhar, buscar criança, dar conta de uma coisa ou outra para a casa''. Vivia entre opções: hoje sera ir a padaria ou pegar os meninos? Eu morava longe do centro e o jeito era escolher. As vezes (quase sempre) queria fazer tudo ao mesmo tempo e me embananava. 

Aqui a vida me obrigou a parar. E eu não briguei com a realidade. Apenas resolvi tentar entende-la e me adaptar. Decidi viver cada momento com intensidade, mas "sem pressa". Assim passei 4 estações e vi vantagens e qualidade em todas elas _ mesmo no meio de uma tempestade de neve que durou 3 dias.

Desacelerar era exatamente o que eu precisava. E eu sou grata pelo destino ter me concedido isso da melhor forma possível. Atencao! Desacelerar não significa parar, nem morrer de preguiça. Em 2016 trabalhei e estudei bastante (atire  a primeira pedra quem acha que cuidar da casa e de duas crianças não da trabalho), mas sem deadline, sem aperto, sem coração saindo pela boca. E eu me senti feliz assim. 

Por isso concluo que 2016 foi "o fim de um bom começo". Foi o fim de um ano que me fez parar para me escutar e me compreender. E acredito que esse e o começo para toda boa mudança. 








domingo, 4 de setembro de 2016

Vamos dar um UP na criatividade!

Minha amiga criativa Bela @chadebaunilha

Tem hora que parece que ela vem com tudo! Normalmente isso acontece comigo depois de ler uma revista inspiradora, como a Mollie Makes (o site também é incrível. Entre aqui e sonhe comigo!), a Flow e a brasileira Make. Ou depois de visitar a casa de uma amiga que é extra cuidadosa com detalhes, cheiros (uma vela perfumada tem o seu valor, hein?) e objetos feitos à mão. Tô falando aqui daquelas casas super arrumadinhas que te inspiram a dar uma geral e deixar seu lar ainda mais fofis. E daquelas que tem livros, prato de sopa e almofadas fora do lugar e cara de bem vivas. 

A casa da minha orientadora da tese de mestrado era assim: cheia (cheia mesmo) de plantas, com um pedaço de piano que servia como estante (o piano molhou numa enchente, ficou só uma parte que foi espertamente aproveitada na decoração), recordações das várias cidades onde ela morou. Eu ia lá para ela me indicar as alterações que precisariam ser feitas no texto da tese (ô fase dura!) e tinha que me esforçar para não fuxicar tanta coisa interessante no teto, chão e paredes! Voltava pra casa doida pra fazer umas intervenções na minha casinha também.

O problema é que tem períodos que a tal da criatividade nos abandona, entra num buraco negro e nos deixa numa solidão danada. Você abre o armário, olha aquela montanha de materiais em casa e não sabe por onde começar. Ou melhor, até sabe. Pega um molde, um projeto de um site bacana, mas a coisa não anda. Que atire o primeiro novelo que nunca passou por isso! 

Pra essas fases de estagnação em que apenas procrastinamos os trabalhos manuais, reuni alguns passos que podem ajudar a dar um UP na criatividade.


1. Vamos começar pelo óbvio: quarto de costura organizado. Nem me venha com esse papo que você se encontra na sua bagunça. Bora! Coragem para separar tecidos por cores, metragens ou tipos, para lavar os pincéis, para arrumar os papéis de scrapbooking. No início o mal humor pode te dominar. Ligue uma música e encare. Este pode ser um ótimo jeito de resolver dois problemas numa tacada só: enquanto deixa tudo no lugar, reflete sobre cores, texturas e moldes. 

2. Chega dessa palhaçada de guardar os melhores tecidos, ou lãs, para "um dia". Um dia usarei esse Liberty que comprei em Londres e paguei os olhos da cara. Um dia vou costurar meus botões mais coloridinhos. Um dia vou ter coragem de cortar esses papéis maravilhosos de scrap. E esse tal dia perfeito nunca chega. E os materiais ficam lá mofando na gaveta. E aí quando você, enfim, resolve usar, cai na real que já enjoou e que a fase paixão passou. Vai, usa! Corta, cola, costura. Beleza chama beleza. Não é assim?

3. Encontre-se com outras crafters. Saia para tomar um café, troquem livros, compartilhem blogs que gostam. E olha, você não precisa conhecer pessoalmente (ainda!). Sabe aquela pessoa bacana que você segue no insta e mora na sua cidade? Vai! Mande uma direct message. Convide-a para almoçar num lugar bacana. Aposto que você não vai ficar sem graça porque não faltará assunto entre vocês. Já conheci tanta gente legal desse jeito. É! Se quiser, você pode chamar de "o jeito cara de pau", but funciona. 

4. Tá! Se você é mais tímido pode se inscrever num curso. Aula é sempre bom. Mesmo aula do que você já acha que sabe. Tem sempre um jeito diferente de dar aquele ponto, de fazer um acabamento. E de quebra tem os colegas. Pergunte a eles, não só ao professor. Pergunte onde compram aviamentos, como dividem o tempo quando estão no meio de projeto. Usam um dia só para cortar? Já overlocam antes de começar a unir as peças? Todo mundo tem um truque para compartilhar. 

5. Crie pequenos rituais antes-durante-pós seus trabalhos manuais. Eles podem servir como um click para o seu cérebro. Para alguns pode ser uma oração, um agradecimento pelo seu talento, pelo seu dom, pelas habilidades já existentes e as que você sabe que tem capacidade de adquirir caso se esforce. Peça coragem para encarar os erros e para descosturar o que ficou mal feito (não deixe feio, desfaça até ficar jóia). No fim, arrume a mesa e encare a realidade!! A história de "quem espera sempre alcança" não funciona no mundo craft! 

domingo, 22 de maio de 2016

De volta! Eu mudei...

                          


 

Depois de um breve período ausente, reapareci. Esperei estar inteiramente recuperada até voltar a fotografar, registrar como anda a vida e compartilhar minhas conquistas no mundo das costuras. 

Dessa vez, escrevo de longe. Estou em um novo quarto de costura, uma nova casa e um novo país. Com tanta novidade eu precisava mesmo de um tempo até a poeira baixar e eu me sentir suficientemente confortável para estar aqui. 

Muita coisa aconteceu desde novembro de 2015. Eu e minha amada família embarcamos numa grande aventura que exigiu trabalho, desapegos (do sol, louças e tecidos ao emprego) e coragem de enfrentar mudanças internas e externas. Mudanças assustam. Não são fáceis. Eu sempre tinha morado em Brasília e apesar de acumular milhagens mundo afora, nunca tinha arrumado as malas para viver em outro país. Quer dizer, mais nova tive as abençoadas oportunidades_ graças aos meus pais_ de estudar nos Estados Unidos e na França. Mas, morar pra valer, alugar casa, fazer supermercado, cancelar assinatura de jornal e trocar endereços foi a primeira vez.

Chegamos 2 dias depois do Natal. Meio mundo comemorando reveillon e a gente cheio de dúvidas e ansiedade em um quarto de hotel. Num inverno pra lá de rigoroso, vivemos uma sinergia familiar deliciosa. Eu, Juliano, Lucas e Alice dividimos com calma, pensamento positivo e amor cada minuto dessa fase. Uma semana depois de aterrissar no aeroporto de Washington DC, já estávamos na nossa casinha. E olha, quando eu digo casinha, não estou me referindo apenas carinhosamente. Abrimos mão de uma casona super confortável com piscina e jardim para viver nosso american dream numa townhouse _ jeito metido a chique para falar de uma casa geminada de dois quartos.  Pequena, mas muito charmosa! E que nos dá muito orgulho.  

Só agora começamos a sentir uma pontinha de estabilidade. Sabemos onde fica o supermercado, onde cortar o cabelo das crianças, onde ficam os armarinhos e as lojas de tecidos (opa! Informação importante, hein?). Juliano segue firme em busca de notícias e fontes em seu trabalho jornalístico, Lucas fez amigos e está indo bem na escola gringa, Alice ainda chora porque não entende a professora; enquanto eu cumpro meu desafio de aprender a cuidar da casa (assunto para outro dia!), aperfeiçoar meu inglês e me dedicar às minhas eternas pesquisas costurísticas. 

Mudamos de país pela oportunidade de trabalho e também pela chance de oferecer aos nossos filhos um novo olhar sobre o mundo. Hoje vejo que além disso, há ainda a possibilidade de alcançarmos um novo olhar sobre nós mesmos. Afinal, estamos distantes da família, dos amigos, dos colegas de trabalho e dos julgamentos das pessoas que nos amam e daquelas que não gostam da gente também (porque sempre tem, ne?). 

São só 6 meses, mas nesse período já sinto que MUDEI. A luta para que a mudança seja para melhor é diária. E quem disse que seria fácil? 




quarta-feira, 17 de junho de 2015

Meu estilo: vovó style!


Os manuais com pitacos para agregarmos mais estilo ao nosso guarda roupas proliferam por aí... Tem livro, blog, revista. Por muitos anos, eu consumi e tentei seguir todas essas dicas. Não vou dizer que foi em vão. Aprendi bastante a entender o meu corpo e tentar favorece-lo. Mas, cansei.
Diante desse clima de liberou geral, acho que o mais importante é cada um buscar o que lhe cai bem, traz conforto e um pouco de alegria. Mesmo ao vestir uma roupa séria dá pra gente se divertir um pouco. É assim que eu me sinto quando visto as peças feitas por mim. Até um vestido sisudo (como esse das fotos) me faz rir _ seja porque me traz lembranças da escolha do tecido, dos comentários da minha mãe (ela fala que eu pareço a minha avó com esses vestidos de velhinha!) ou dos erros enquanto costurava.
Já tentei ser mais moderna, mas não tem jeito: saias curtas e decotes não combinam com a minha personalidade. Não gosto, não visto e pronto! Também não sou muito de brilho, nem visto calça extra justa. Gosto de me sentir solta, sem nada pegando no quadril ou no busto. E daí vem algo mágico do mundo da costura: a oportunidade única de apertar daqui e soltar de lá. A chance de reproduzir o mesmo molde várias vezes: com golas, tipos de tecidos e acabamentos diferentes.
Este vestido foi feito a partir do molde Françoise (à venda aqui) da inglesa que sempre falo, a Tilly and The Buttons. Já fiz um azul marinho e outro cinza. O marrom que aparece nesse post é de lã. Minha intenção era deixá-lo pronto para a viagem a Londres no começo do ano, mas não consegui terminar a tempo. Sem problemas! Está sendo bem aproveitado nesse friozinho que está fazendo em Brasília.

O tecido é da Mariana Tecidos e a fivela é da Liberty London.

domingo, 14 de junho de 2015

Só criança brinca de boneca?

Já passei dos 30 faz tempo... Sou mãe de duas crianças e pelas regras impostas pela vida, não deveria mais brincar de bonecas. Adultos são feitos para trabalhar, pensar em como ganhar dinheiro, devem ser ambiciosos profissionalmente e só dar gargalhadas depois de beber um pouco. Certo? Não para mim. Minha busca é por um cotidiano mais leve. E se costurar, recortar papéis coloridos, escrever cartões para minhas amiga e brincar de bonecas me ajuda a alcançar essa meta, eu topo. Mesmo que me chamem de ridícula.




Dia desses tive um fim de tarde encantado com tudo que faria qualquer criança feliz. Coca-Cola, bolo de chocolate transbordando cobertura, sentada num banco ao ar livre, com céu azulzinho e pôr sol amarelado_ daquele jeito que o povo do cinema chama de "hora mágica". Poderiam ser 3 meninas brincando de boneca: eu, Ruby Fernandes e Lou Grimes.
Li uns livros de psicologia que dizem que retornar aos hábitos que nos faziam bem na infância pode ser uma forma de trazer calma e ordem para a loucura da vida de gente grande. Não sei se é só teoria, mas não custa tentar. E a mera tentativa já me deixa bem. Fiquei animada a semana toda pensando no dia desse encontro. Vesti meu vestido costurado por mim, embalei mimos para as meninas, enchi minha alma de paz e energia e fui.  


O encontro foi marcado para a Lou me entregar a Blythe que eu comprei dela. Há anos eu sonhava em comprar uma boneca dessa e, por muitos motivos, adiei esse desejo de consumo. Em 2010, contei a história das Bltyhes e a minha vontade de ter uma. Está AQUI.  


A Blythe é boneca para adulto. E o bacana é que Lou é especialista em deixá-la do jeito que você quiser. Ela é uma customizadora de Blythes. E, sim, acredite, isso é profissão. Só no ano passado a Lou customizou mais de 200 bonecas que vieram do mundo todo para a casa dela pelos Correios e foram devolvidas maquiadas, com cabelos coloridos, com olhos exóticos. Há até lista de espera para quem quer ter uma boneca exclusiva.
É um trabalho artístico delicadíssimo. Ela lixa os rostos e pinta tudo à mão. Todas as bonecas são assinadas, numeradas e nenhuma é igual a outra. No site dela estão registradas 266 dolls. Cada uma com uma personalidade. A minha está lá.



Voltei para casa toda contente com minha Blyhe na mão. Cheguei, abri o pacote e mostrei para minha filha Alice, que nem deu muita bola. Olhou sem demonstrar o menor interesse (ufa!). Tem brincadeira de criança que só acalma coração de adulto mesmo.






Fotos: Viviane Basile (apenas as duas primeiras imagens)
            Ruby Fernandes


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Por uma vida mais doce!

Bolo de churros feito por mim! Receita do site I Could Kill For Desert, da Dani Noce

Sou filha de mãe mineira do interior, prendadíssima nas panelas, capaz de fazer os melhores pães de queijo, a feijoada mais incrível, as rosquinhas mais doces e fofinhas, o bolo sempre no ponto! Infelizmente não herdei esse talento. Mas, desde que tive meus filhos, me esforço para fazer um agrado para eles na cozinha. Ficarei feliz se quando eles crescerem, guardarem na memória ao longo da vida pelo menos algo gostoso feito por mim.
O bacana é que eles curtem se aventurar comigo. Juntos, lemos receitas, compramos livros, vemos vídeos no You Tube. Nossa última diversão tem sido assistir o canal da Danielle Noce. Vocês conhecem? Gente! A moça nos deixa de boca aberta! É bonita, mega falante, carismástica, tem cabelo de comercial do Kérastase, usa as roupas mais fofas e ainda cozinha que é uma beleza! Ah! E é super engraçada! Eu e meu filho Lucas, de 8 anos, damos muitas risadas enquanto aprendemos a fazer bolos, biscoitos, docinhos.
Virou um programinha nosso! Escolhemos entre os muitos vídeos. Caderninho na mão, Lucas me ajuda a anotar os ingredientes. No dia seguinte, vamos juntos ao supermercado em busca da farinha de trigo, do açúcar de confeiteiro, leite. Daí é uma farra só! Pesamos as medidas indicadas na balança, afinal somos finos! Essa coisa de "uma xícara disso", "um copo daquilo" é para amadores. Hahaha! Vestidos de avental nos sentimos os próprios Ratatouilles.
Depois, enquanto a receita assa, aproveitamos para fazer o que mais gostamos. Lucas monta seus intermináveis Legos. Eu costuro a barra de um vestido ou alinhavo uma blusa. Alice, 2 anos, perturba perguntando a cada 5 minutos se já está pronto. A ansiedade tem justificativa: um perfume de bolo quente toma conta da casa e abre o apetite de todos.
Por último, vem a alegria por ter encarado mais um desafio e a preocupação se a massa assada vai desgrudar da forma ou não. Hum! Dessa vez deu certo. Hora de forrar a mesa da cozinha, arrumar os pratos e talheres e  chamar a família para degustar. Aqui em casa um bolo não é só um bolo. É bem mais do que isso. Como diz minha musa Dani Noce, tudo "por uma vida mais doce".



terça-feira, 19 de agosto de 2014

Com amor, o batizado da Alice!


Sou católica e vou sempre à missa. Faz parte da minha criação. Sinto-me bem quando estou na igreja. Lembro da minha infância quando rezava com a minha mãe. Por isso, fiz questão de batizar meus dois filhos. A celebração da Alice foi no dia em que ela completou dois anos. Eu queria muito que minha pequena Pipi entendesse_ pelo menos um pouquinho_ o que estava se passando. E foi emocionante quando o Irmão Diego jogou água na cabeça e ela gritou: "de novo!". Todos caíram na gargalhada!








Os padrinhos são os queridos Felipe e Maíla Basile. A Maíla me ajudou a organizar tudo... e ficamos derretidas de alegria porque saiu do "jeitim" que a gente planejou! Craft missão cumprida!


Depois da igreja, os meus poucos convidados vieram para a minha casa. Não curto recepção em buffet. E, sinceramente, acho que as festas de criança estão ficando grandes demais. Tentamos fazer praticamente tudo à mão! Simples, mas de coração!


Para decorar, usei muitas flores naturais. Fiz assim: passei no dia anterior na Ceasa, carreguei o porta malas e trouxe tudo pra casa. Podei e montei os arranjos em vasos de vários tamanhos. Minha amiga Fabi da super Dotpaper está sempre ao meu lado nessas empreitadas. Vieram de lá as louças cor de rosa e os convites_ sempre os mais lindos de Brasília!


Na semana do aniversário, minha amiga fotógrafa Ruby Fernandes fez um ensaio com a Alice. Eu queria muito guardar o registro da carinha fofa dela aos 2 anos. Revelei as fotos e coloquei em porta retratos e em um varalzinho de barbante. Ideia singela, mas que personaliza a festa.



O bolo, os doces e pirulitos foram das meninas do Las Pitangas. Sim, a agenda é lotada. Fica longe pra caramba. Elas não tem serviço de entrega... em compensação, arrasam nas delícias. Adorei tudo!
Mas teve também produção Basile! Maíla e nossa sogra talentosa Beth Basile foram para a cozinha e assaram muitas fornadas de cupcakes de chocolate com marshmellow caseiro. Detalhe para a tag de scrapbooking lá no alto dos bolinhos.


O topo de bolo de madeira, pintado à mão, era uma kokeshi. A bonequinha_ que é um carretel de linha_ viajou pelo correio. Encomendei duas. Uma ficou pra mim e a outra foi presente para a madrinha. Trabalho à mão da crafter de Joinville Fabi Sehnem.


Minha mãe, a minha maior referência na costura, criou e presenteou a aniversariante com um vestido bem longo, todo de renda, feito lá em Buritis, no interior de Minas Gerais. Cidade onde não falta mulher prendada, uai sô!


E pra encerrar, algo que todo mundo adora: a lembrancinha! A Maíla costurou muitos cones de tecido e recheou com doces. Mais uma sugestão bacana que pode ser feita em casa. O molde é do livro da Tilda.

Nhami! E para evitar aquele arrependimento por não ter comido mais doces na hora do parabéns, os convidados também levaram marmitinhas com bolo beeeem recheado de brigadeiro. Fiz as tags com papel de scrapbooking, carimbos e fechei com uma fitinha de cetim.




Espero que as ideias sejam úteis para quem está planejando uma festinha handmade.

Beijo! Boas costuras!

Fotos: Ruby Fernandes